Os verbos em negação na Língua Gestual Portuguesa

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Helena Carmo
Verónica Milagres da Silva
Elsa Martins

Resumo

O presente artigo pretende abordar sistematicamente a componente da negação verbal, tema integrante da sintaxe da Língua Gestual Portuguesa (LGP). À falta de investigação estruturada e à falta de uma Gramática de LGP mais aprofundada, surgiu a necessidade de se estudar esta língua de forma detalhada, debruçando assim o olhar sobre esta temática de forma a empreender a reorganização e a construção de uma Gramática de LGP mais pormenorizada. Partindo de uma análise decorrente da recolha de entrevistas em LGP, sob forma de discurso informal de tema incitado, e da análise de um documentário em LGP, procurar-se-á refletir acerca das construções de negação verbal recorrentes e esclarecer o modo como estas estruturas poderão ser formadas e que classificações poderão assumir na LGP. Realizar-se-á ainda uma abordagem comparativa e analógica entre a LGP e outras línguas gestuais, com o intuito de compreender a existência de semelhanças e de traços diferenciados no que concerne ao processo da negação verbal em língua gestual. Será dado a conhecer um conjunto de marcadores (manuais e não manuais) que de certa forma assinalam ou contribuem para a formação da negação bem como uma proposta de segmentação da negação em LGP em dois ramos alicerçais: a Negação Regular (sincrónica, assincrónica e flexão verbal nos tempos passado, presente e futuro) e a Negação Irregular. Será, ainda, apresentada a razão pela qual se pode assumir o marcador não manual headshake como gramatical.