Leonardo's transdisciplinary modernity

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Maria Alexandre Bettencourt Pires

Resumo

Ao analisar a História Universal, procurando vestígios do interesse humano pela interdisciplinaridade, fica bem patente o facto de que aquelas épocas em que se aperfeiçoaram estudos anatómicos por dissecção cadavérica humana, logo foram seguidas por grandes eras de florescimento científico e artístico, como no caso do Egipto Antigo, da Grécia Clássica, ou do Renascimento. Tais pensamentos impregnaram-nos o espírito, por ocasião da recente visita à Exposição da colectânea real britânica dos 200 desenhos de Leonardo da Vinci, na Galeria Real do Palácio de Buckingham em Londres, em celebração do 500º aniversário da morte de Leonardo. Nessa ocasião, sentimos ter plenamente correspondido ao desejo expresso pela Rainha Isabel II de que "quem visitasse essa exposição se sentisse inspirado pelo brilhantíssimo fulgor da Obra de Leonardo". Não conseguiremos destrinçar se Leonardo dissecou corpos humanos no sentido de enaltecer a sublime superioridade artística, ou se, ao invés, teria sido a precocidade do seu interesse por engenharia, arquitectura, anatomia e fisiologia humana, que o levaram a querer dissecar e explorar o interior dos corpos. Trabalhou só, e em segredo, escondendo a maior parte dos trabalhos do seu público contemporâneo, mas a pequena parcela do brilhantíssimo fulgor do seu legado, que subsistiu após meio milénio, aguardou por um público culturalmente mais desenvolvido, mais capaz de aprender e apreciar os seus esforços de diluição de barreiras disciplinares, na evolução cultural para a "transdisciplinaridade" como marca cultural do limiar do século XXI.

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