A banalidade do mal: a controvérsia e a complexidade de um conceito

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Margarida Amaral

Resumo

Este artigo pretende reflectir acerca do conceito arendtiano de "banalidade do mal". Ele começa por uma análise do filme "Hannah Arendt" de Margarethe von Trotta. Este início não é um mero pretexto. Pelo facto de se tratar de uma obra cinematográfica relativamente recente, o filme tem uma divulgação pública muito superior aos livros de Arendt. Neste sentido, torna-se importante confrontar o filme, elucidando os seus aspectos mais ou menos concordantes com a obra da autora. A banalidade do mal é talvez o mais complexo conceito proposto por Hannah Arendt, tendo, além disso, dado origem a uma polémica que a autora não teria podido prever. O filme de Margarethe von Trotta revela-se extremamente fiel a esta polémica, embora, por se tratar de um filme e não de um tratado de filosofia, não explore toda a complexidade associada ao conceito. Esta complexidade está relacionada com os poucos esclarecimentos que Hannah Arendt prestou acerca da sua mudança de pensamento relativamente ao tema do mal totalitário, a qual foi acompanhada de uma alteração conceptual - do "mal radical" à "banalidade do mal". Pretendo mostrar, sem negar as diferenças entre os conceitos, que os podemos combinar de forma a pensar a banalidade capaz de conduzir ao mal radical.

Palavras-chave: Hannah Arendt, Ética, Política, Mal

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